
A equipe da Cia. Enviezada traz para o Tomada Urbana o espetáculo Caminhos, uma intervenção urbana que incita a mistura da ficção com a realidade das ruas. Realizado a partir de técnicas de improviso de Viewpoints, é um espetáculo ITINERANTE que percorrerá as ruas do centro de Barra Mansa. O Público acompanha os atores pelas ruas da cidade, cada um com seu mp3, pois o aúdio será disponibilizado para download pelo site:
http://www.megaupload.com/?d=35HY7DEV
Baixe este aúdio em seu mp3 e venha assitir a este trabalho. A produção disponibiliza apenas 25 aparelhos, um número limitado.
Se cada um de nós levarmos nosso áudio, daremos a chance de mais pessoas assitirem à peça.
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A terceira edição da TOMADA URBANA ATO III é realizada pelo ‘Coletivo Teatral Sala Preta’
Com a finalidade de levar ao Centro de Barra Mansa e bairros carentes o teatro realizado durante os três anos de sua existência, além de espetáculos de grupos convidados de cidades brasileiras e da América Latina, o ‘Coletivo Teatral Sala Preta’ apresenta a TOMADA URBANA – ATO III, uma mostra independente de Teatro de rua que acontece nos próximos dias 19 a 23 de dezembro.
Após realizar sua segunda versão no ano passado, com cinco espetáculos produzidos pelo próprio grupo, o Sala Preta volta a ocupar as praças e largos de Barra Mansa, ampliando suas ações com peças inéditas de grupos convidados do Rio de Janeiro e da capital mexicana Cidade do México. Em seu repertório, os atores trazem as obras “A Noiva de Gonzagão”; “O Cascudo Douradinho em: Amiga Lata, Amigo Rio”; “As Viúvas de Domingos” e “Prece Cósmica”, apresentados no ano passado, além dos novos espetáculos “Araponga e o Rio”; “Caminhadeira” e “O Príncipe Encantado do Castelo de Ferro do Reino da Escuridão ou Três Pés De Maravilha!”.
Para Bianco Marques, diretor musical do Coletivo Teatral Sala Preta, poder oportunizar ao cidadão barramansense o contato gratuito com artistas de vários lugares do mundo e com a arte do teatro em seu território cotidiano é, sem dúvida, a grande realização da TOMADA URBANA.
Todas as peças da mostra são gratuitas, porém, no final de cada apresentação, os grupos irão fazer a tradicional ‘passada de chapéu’, incentivando a cultura do teatro de rua na região. Para acompanhar a programação do Coletivo Teatral Sala Preta, basta acessar o site www.salapreta.wordpress.com.
Serviço:
TOMADA URBANA – ATO III
Data: 19 a 23 de dezembro
Bairros atendidos: Paraíso de Cima, Vista Alegre, Vila Independência, Distrito de Amparo e Centro.
Cias Participantes: Cia LaDueños de Teatro Itinerante – Ciudad del Mexico – DF – MEXICO
Cia Enviezada – Rio de Janeiro/RJ – BRASIL
Léo Carnevale – Rio de Janeiro/RJ – BRASIL
Sala Preta – Barra Mansa/RJ – BRASIL
PROGRAMAÇÃO:
Dia 19 de dezembro – Segunda-feira
BAIRRO PARAÍSO DE CIMA
9h - Pregón – Cortejo
10h - Araponga e o Rio
Los Títeres del Tío Ali
Caminhadeira
14h - Intervenção de palhaços com Daniela Sánchez
A Noiva de Gonzagão
As Viúvas de Domingos
19h - Terminal rodoviário dos ex-combatentes – atrás da igreja da matriz – centro
Prece Cósmica
Dia 20 de dezembro – Terça-feira
BAIRRO VILA INDEPENDÊNCIA
9h - Pregon – Cortejo
10h - Intervenção de palhaços com Daniela Sánchez
Prece cósmica
Bernardino
14h - O Príncipe Encantado do Castelo de Ferro do Reino da Escuridão
As Viúvas de Domingos
Pulitrica
19h - Rua Juiz Antônio Cianni – atrás do Parque Centenário, na Rua do Clube Municipal
A Noiva de Gonzagão
Dia 21 de dezembro – Quarta-feira
BAIRRO VISTA ALEGRE
9h - Pregón
10h - Caminhadeira
Douradinho
Los Títeres del Tío Ali
14h - Pulitrica
Prece Cósmica
19h - Praça das Nações Unidas, Bairro Ano Bom
Bernardino
Dia 22 de dezembro – Quinta-feira
BARIRO NOVE DE ABRIL
9h - Pregón
10h - Araponga e o Rio
Pulitrica
Douradinho
14h - O Príncipe Encantado do Castelo de Ferro do Reino da Escuridão
Los Títeres del Tío Ali
Caminhadeira
19h – Praça da Liberdade
“Preformance de Baño”
Afonso Xodó
Daniela Sanchez
Dia 23 de dezembro – Sexta-feira
CENTRO
9h30 - Rua Duque de Caxias
O Príncipe Encantado do Castelo de Ferro do Reino da Escuridão
Douradinho
10h30 - Rua Rio Branco
Caminhadeira
Los Títeres del Tío Ali
14h - Rua Rio Branco e Rua Duque de Caxias
A Noiva de Gonzagão
As Viúvas de Domingos
15h50 - Praça Ponce De Leon – Praça da Matriz
Bernardino
18h - Rua Duque de Caxias
Prece Cósmica
19h - Rua Duque de Caxias e Praça da Liberdade
Caminhos
OS ESPETÁCULOS
ARAPONGA E O RIO
Sala Preta – Barra Mansa/RJ – Brasil
O menino Araponga, descendente de índios, mora na roça e passa os dias brincando entre as árvores e num rio que corre próximo a sua casa. Um dia, porém, se depara com a poluição deixada pelos turistas que visitam o seu lar.
Com Bianco Marques
LOS TÍTERES DEL TÍO ALI
Compañía de Teatro la Dueños – Ciudad del México/DF – México
As histórias são contadas por diversos tipos de bonecos e clows. Tratam de ecologia, autoestima, união familiar, valores humanos e identidade. O público está convidado a interagir com o espetáculo.
Elenco: Mónica Álvarez, Montserrat Ángeles Peralta, Daniela Sánchez Reza.
CAMINHADEIRA
Sala Preta – Barra Mansa/RJ – Brasil
A casa de Caminhadeira são os caminhos que percorre. Leva e deixa histórias por onde passa. Dessa vez ela encontrou um homem que nunca tinha saído debaixo da aba do seu chapéu de palha e tem muita história pra contar.
Com Suzana Zana
A NOIVA DE GONZAGÃO
Sala Preta – Barra Mansa/RJ – Brasil
Uma homenagem à Luiz Gonzaga do Nascimento, o rei do baião. A obra é uma curta apresentação que aproxima toda a popularidade do autêntico representante da cultura nordestina com o público. Ao narrarem a história da Noiva Maria, os atores criam uma identificação com a platéia logo de início, convocando o público a cantar grandes sucessos e a conhecer a história de vida do Rei do Baião, por meio da ficção.
Elenco: Bianco Marques, Danilo Nardelli, Rafael Crooz e Suzana Zanna
Concepção e Direção Coletiva.
AS VIÚVAS DE DOMINGOS
Sala Preta – Barra Mansa/RJ – Brasil
Inspirado na região onde nasceu o compositor Dominguinhos, é encenado a partir da temática de São Pedro, conhecido como o santo que controla as chuvas e protetor das viúvas. Desta forma, pequenas histórias divertidas e inusitadas falam sobre a viuvez de três mulheres apaixonadas pelo mesmo homem. A obra aproxima toda a popularidade de Dominguinhos com os espectadores, que entram no clima da festa, cantando seus grandes sucessos.
Elenco: Clarissa Anastácio, Jessica Zelma, Nathália Dias Gomes e Thiago Delleprane
PRECE CÓSMICA
Sala Preta – Barra Mansa/RJ – Brasil
Um espetáculo teatral que aborda a temática bíblica acerca do nascimento do menino Jesus. Referenciando-se na vanguarda do rock brasileiro, a peça propõe uma nova leitrura das canções de grupos como Secos e Molhados e Os Doces Bárbaros, que conduzem a narrativa deste Auto de Natal.
Elenco: Bianco Marques, Lucas Fagundesz, Thiago Delleprane e Suzana Zana
BERNARDINO
Compañía de Teatro la Dueños – Ciudad del México/DF – México
Um menino de 13 anos, sofre uma pressão social e familiar para trabalhar nos Estados Unidos. Apesar de preferir o trabalho na lavoura de milho com seu avô, se vê em um terrível dilema, pois também quer estar com a maior parte de sua família no “outro lado” da fronteira com o México. O final é decidido pelo público. Bernardino vai para os EUA ou fica no México?
Elenco: Vicky Fuentes, Mónica Alvarez, Montserrat Ángeles Peralta e Rafael Crooz
O PRÍNCIPE ENCANTADO DO CASTELO DE FERRO DO REINO DA ESCURIDÃO OU TRÊS PÉS DE MARAVILHA!
Sala Preta – Barra Mansa/RJ – Brasil
Uma menina foge da maldade da madrasta e suas duas filhas para viver grandes aventuras. Com pitadas de magia, comédia e romance, a menina se vê diante de um grande mistério. Onde estará perdido seu príncipe encantado?
Ele foi preso por bandidos? Raptado por piratas? Mas afinal, onde estará o príncipe encantado do castelo de ferro do reino da escuridão?
Com Ângela Huggler
PULITRICA
Léo Carnevale – Rio de Janeiro/RJ – Brasil
Afonso Xodó é um falastrão, um andarilho, um transeunte. Tenta mostrar seus conhecimentos em ciências ocultas com números extraordinários, contrários às leis da natureza. Mas o palhaço é na verdade um travesso, e a brincadeira toma conta da cena. Com humor ilude os espectadores, que acreditam mais nos efeitos do riso, do que nos da magia.
Criação e interpretação: Leo Carnevale
DOURADINHO
Sala Preta – Barra Mansa/RJ – Brasil
Um pequeno peixe cascudo vivia solitário em rio muito poluído. Um dia, enquanto, uma latinha dourada ficou presa em sua nadadeira, e passou a ser a sua única companheira. Por isso ele recebeu o apelido de Douradinho. Eles nadam contra a correnteza a procura da nascente do rio. No caminho, eles conhecem personagens ensinam o peixinho a preservar o rio.
Elenco: Bianco Marques, Danilo Nardelli e Rafael Crooz
Trilha Orginal: Bianco Marques
Figuino: Lucas Fagundes
Boneco: Suzana Zanna
CAMINHOS
Cia Enviezada – Rio de Janeiro/RJ – Brasil
Uma intervenção urbana que incita a mistura da ficção com a realidade das ruas. Realizado a partir de técnicas de improviso de ViewPoints ,é um espetáculo ITINERANTE. O Público acompanha os atores pelas ruas da cidade, cada um com seu aparelho de MP3.
Direção: Zé Alex
Direção de Arte: Tato Teixeira
Figurino: Preta Marques
Trilha Original Quatrilha
Elenco: Viviane Oliveira, Rodrigo Pinho, Marcelo Valentin, Andrea Claudia Claudia Martins, Natalia Soarez, Raphael Cassou.
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A mostra expõe registros dos quase três anos de trabalhos realizados pelo Coletivo Teatral Sala Preta
Quem está acostumado a ver os atores do Coletivo Teatral Sala Preta encenando pelas ruas da cidade vai poder acompanhar uma novidade dos artistas. Na próxima quarta-feira, dia 9, a partir das 19h, o grupo realiza a abertura da Exposição Coletivo Teatral Sala Preta, que irá reunir registros audiovisuais e imagens de fotógrafos e cinegrafistas amadores e profissionais com leituras diversificadas dos quase três anos de experimentações artísticas do Sala Preta, no Centro Cultural Estação das Artes, em Barra Mansa.
Para Rafael Crooz, um dos atores do coletivo, a arquitetura da cidade se tornou o motor para diversos espetáculos produzidos pelo Sala Preta e vem fomentando um amplo desejo de experimentar as diversas possibilidades espaciais para a cena. “Pensar os espaços da cidade e a dinâmica que rege as relações entre seus habitantes/atores, passa a ser um dos eixos de pesquisas do Coletivo e Barra Mansa se torna laboratório para suas incursões”, ressalta.
A exposição é gratuita e fica aberta ao público de 10 a 28 de novembro. Quem quiser conferir o endereço é Rua Orozimbo Ribeiro s/n, Centro – Barra Mansa.
Serviço:
Exposição Coletivo Teatral Sala Preta
Local: Centro Cultural Estação das Artes
Abertura: 09 de novembro
Hora: 19h
Período: 10 a 28 de novembro
Endereço: Rua Orozimbo Ribeiro s/n, Centro – Barra Mansa

NA RUA COM OS PRETOS
Me disse uma vez um dos “pretos”, Rafael: Andréa, acho que essa é a nossa definição, somos ARRUACEIROS1. ADOREI ISSO!
Sempre achei que eles eram especiais, alguns meus alunos, às vezes meus professores. Outros vou conhecendo aos poucos, a cada nova surpreendente atuação.
Naturalmente, os arruaceiros andam em bando, se encontram prá inventar cotidianamente a rua, esse lugar do encontro e da interação, da diferença, da aparente e necessária “desordem”.
Eles são jovens, eles podem, eles devem estar na rua e chamar de volta os não tão jovens, como eu.
Assim, quando me procuram os “pretos”, estou sempre disponível. Conto um pouco do que estudei, conto um pouco do que percebo, conto um pouco das minhas arruaças. Apaixonada por cidade e por Barra Mansa, quero estar sempre perto de gente assim.
A Rua sempre foi o lugar mais privilegiado de Barra Mansa. Intuitiva e sabiamente o Sala Preta percebeu isso, de partida. É na Rua que aqui se desenvolvem as mais fraternas e verdadeiras trocas e relações, os encontros, a cultura e, neste sentido, imbricado na larva cultural, arruaçado, o Sala Preta já é patrimônio deste lugar.
Quando os vi pela primeira vez na rua, mais especificamente na praça da Liberdade, junto ao prédio que teimo em chamar de Cine Palácio, meu peito ardeu de alegria. Eles me reconheciam e mandavam beijinhos, me olhavam nos olhos entre uma cena e outra. Pensei: gente, a rua se acendeu de novo, e é Barra Mansa!
É assim a cada novo espetáculo de gente linda, talentosa, brilhante: Barra Mansa se acende e faz todo sentido viver aqui. A tradição, o carinho dessa gente, os edifícios históricos que teimam em ficar de pé, a estação por onde chegam e são ouvidos esses arautos e que abre agora passagem prá essa mostra.
Fico imensamente feliz por perceber essa cidade desejando também ouvir e ver uma de suas mais originais representações. Onde quer que se apresente, o Sala Preta levará o que retira da experiência vivida neste Lugar.
A partir dos objetos, fotos e imagens dos espetáculos e ensaios, a rua entra na Estação com o Sala Preta, que faz a gente perceber: Barra Mansa permanece.
Andréa Auad Moreira
Arquiteta e Urbanista
Professora Universitária
1 No Dicionário Aurélio, adj. que ou aquele que faz arruaças, desordeiro.
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José Guilherme Franco Gonzaga
O que acontece quando um grupo resolve tomar a cidade, transcriando sua história e junto com a população reconta-a em forma de um teatro ambulante, que percorre desde o massacre dos povos originários, o uso abusivo do trabalho escravo misturando a história redescoberta a contra-pelo com a história oficial dos vencedores? O que acontece? Talvez as 2000 pessoas que em diferentes momentos passaram pela festa-teatro-popular-de-rua tenha, cada uma, uma resposta. A minha: Emoção. A cada ato, entre o riso e a história, um desejo de chorar. O senso ético se mistura ao estético e a emoção transborda, ora em tristeza, ora em alegria, ora no prazer de estar ali… jovens correndo, gritando, cantando, soltando fogo, dançando… O mais fantástico a cidade (suas construções históricas, ruas, pontes, rios, parques, monumentos), da mesma forma que o povo presente, mais que cernários ou expectadores, são personagens… entram na história, falam na peça, contam com sua presença a história… participam, interferem. A Princesa Isabel assinando a “Lei do Dia Municipal do Fico o Mastro do Circo na Rua de Barra Mansa”, numa clara crítica, depois repetida, ao controle estatal sobre um espaço que antes de tudo deveria ser público, depois ainda na mesma cena, ainda que no ato seguinte, a mesma Princesa, enfaixada denunciando o “Tombamento” (do verbo cair e não da ação política de permanecer como marco histórico) do Casarão onde morou o Barão de Guapi, hoje desleixado as moscas da Dengue e ao desleixo dos poderes públicos. Na cena seguinte o leite derramado sobre o corpo dos escravos mortos pela exaustão da panha do café, servia ao Barão para lavar as mãos e dizer que nada tinha com isso, era apenas o preço do progresso. A tristeza das escravas chorando pela morte de seus pares ao mesmo tempo que estruprada pelo Barão representando a violência contra a mulher ontem e hoje. Antes disso, no palácio, que durante muitos anos, serviu de sede dos poderes muncipal, a assinatura da lei que transforma a vila em cidade e um coral lindo, de senhoras (Vozes de Ouro), nas janelas, canta o hino da cidade de Barra Mansa. Emoção… A encenação segue, o canto do sertão, da roça, conduz o povo em marcha para a transição do aço, na Estação uma homenagem justa, necessária, importante à história dos movimentos de resistência cultural de Barra Mansa. A estação em chamas, destruída pelo fogo enquanto o Sala Preta resgata a luta de Marco Medeiros e outros artistas pelo salvamento do prédio e a preservação de sua história, relembrando que o risco do abandono segue como no caso da Mansão do Barão. Esperamos todos que a história do Clube Municipal, seja como a da Estação e não como a do antigo Fórum, “tombado” para a construção do hoje Banco Itaú, ou a de nossos teatros-cinemas agora loja de eletrodoméstico e verdurão. Ainda na Estação, enquanto os Guardas Municipais mandavam os carr os passar no meio dos atores-expectadores, era lido um manifesto em defesa do direito à cidade e sua “tomada cultural” – “enquanto houver bambu, flecha neles”, somos convocados a defender nossa história e nossa cultura popular que atravessa fronteiras e o aço de Volta Redonda que já pertenceu ao Município de Barra Mansa, volta ao som do Bloco de Concreto, aliançando-nos com o aço. Na praça da Matriz um encontro necessário, nessa sociedade marcadamente católica, entre a história e a religião na encenação da morte de São Sebastião. Dali para o hoje, o momento atual, condicionado pelo passado e pela expectativa do futuro, uma enorme ciranda de crianças na Fazenda da Posse, primeira edificação de Barra Mansa, recuperada pela insistência da gestão da Prefeita Inês Pandeló, o passado encontra o futuro no presente e sob a ciranda a história termina continuando e anunciando o futuro. Lindo, emocionante… o sarcasmo que faz ri nos ajuda a nos entender.
A transcriação do teatro popular da idade média misturando cultura de dominio popular com músicas eruditas, usando o riso como arma de denúncia e a história como inspiração, me faz pensar a escola. Por que aprendemos mais sobre a história de Barra Mansa com o Sala Preta do que nas salas de aulas? Por que aprendemos mais quando não temos um currículo a seguir, provar nada para ninguém, eu não sabia que o casarão do Clube Municipal era a residência do Barão, talvez nunca precisasse saber, mas se tivesse aprendido na escola, teria que provar que aprendi, para quê? As muitas crianças brincando de ciranda como garantir o ensaio e a apresentação? Pela liberdade, pelo prazer, pela alegria, pela criatividade? Será que isso que falta em nossas escolas?
VALEU SALA PRETA!
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A cidade conta seus 179 anos de história, nos prédios, ruas, praças e ponte da cidade
No próximo dia 02 de outubro, domingo, a partir das 14h, o Coletivo Teatral Sala Preta, em parceria com o Instituto Dagaz, de Volta Redonda, reúne mais de 500 artistas pelas ruas de Barra Mansa para realizar o espetáculo itinerante “NASCE UMA CIDADE 2011”, em celebração ao aniversário de 179 anos do município.
O Projeto, que teve sua primeira edição em 2010, passa por prédios e ruas históricas onde serão contadas e revividas etapas do desenvolvimento do município, desde a ocupação dos índios Puris e Araris, até a sua constituição como cidade. O processo de montagem foi trabalhado em rede com mais de 30 forças criativas da região, como o Projeto Música nas Escolas, o Coral Vozes de Ouro, da Banda São Sebastião, o Grupo Proscenium, Dança e Magia, Quiproquó Cia. de Teatro, a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, Abadá Capoeira, entre outros.
A encenação começa sob os gritos dos índios, na Praça das Nações Unidas, onde eles anunciam, com tambores, o primeiro confronto. A partir daí, em cada local da cidade se passa um momento da história, que é revivido em ambientes de tradição como Palácio Guapi, Praça do Ano Bom, Igreja Matriz e termina na Fazenda da Posse. Para Rafael Crooz, idealizador do espetáculo, o objetivo é fazer deste ato um grande encontro popular das manifestações culturais que representam, de fato, o que é Barra Mansa e suas atividades produtivas. “A ideia de realizar uma peça que leve o público aos espaços tradicionais da cidade, ajuda os espectadores a verem o que o município verdadeiramente é e resgata a identidade de um povo. E essa identidade está diretamente relacionada com sua cultura”, ressalta. 
Em 2010, o NASCE UMA CIDADE foi contemplado pelo Prêmio Areté, oferecido pela Secretaria de Cidadania Cultural, do Ministério da Cultura. No entanto, o projeto não recebeu o valor do prêmio, de 25 mil reais, o que deixou o grupo desestimulado para produzi-lo novamente. Mas, para este ano, o espetáculo conta com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Barra Mansa, por meio da Fundação de Cultura do município, que entrou com um aporte ainda maior do que no ano passado. Além disso, o projeto recebeu investimento do Serviço Nacional das Indústrias – SESI/RJ.
Segundo Marcelo Bravo, um dos produtores do espetáculo, o apoio da prefeitura é fundamental, afinal esta é uma data municipal, que comemora a emancipação da cidade. “O prefeito de Barra Mansa, Zé Renato, é um grande entusiasta deste projeto, junto com o Superintendente de Cultura do município, Luiz Augusto Mury. Com isso, à medida que o projeto toma força, a compreensão da importância destas articulações será percebida pela vivência do público, dos participantes, dos investidores”, afirma.
Foram seis meses de ensaios, estudos, produção de cenário e adereços, além das reuniões com os grupos participantes e a produção no Galpão do Teatro do Parque da Cidade, concedido pela Prefeitura de Barra Mansa. O resultado desta grande manifestação cultural pode ser vista pelo público, novamente, de forma mais madura e como uma grande homenagem à cidade e seus espectadores, cúmplices desta trajetória. O NASCE UMA CIDADE é mais do que apenas um espetáculo, trata-se de um olhar sobre a história, contada e resgatada após mais de um século, por cidadãos, acima de tudo, barramansenses.
SERVIÇO
NASCE UMA CIDADE
Data: 02 de outubro – domingo
Hora: 14h às 18h
Local de início e término: Praça das Nações Unidas e Fazenda da Posse
Sinopse
O projeto NASCE UMA CIDADE celebra oficialmente os 179 anos de emancipação política de Barra Mansa e será realizado por centenas de artistas locais, que contam os passos dos principais personagens da história barramansense de forma itinerante pelas ruas e praças da cidade. A apresentação começa na Praça das Nações Unidas, no bairro Ano Bom, com a batalha dos índios Puris e Coroados e o encontro dos tropeiros com esses primeiros habitantes. Em seguida a ponte Ataúlfo Pinto dos Reis se transformará em um belíssimo sambódromo para homenagear o rio Paraíba do Sul e seus afluentes. Sob o canto das lavadeiras, o espetáculo segue a beira-rio em direção ao Palácio Guapi, onde é encenada a fundação da vila de São Sebastião da Barra Mansa e posteriormente a elevação à cidade.
O espetáculo conta também as três fases econômicas que Barra Mansa passou, a agrária, com o café; a agropecuária, com a produção de leite e a industrial, lembrando todos os homens e mulheres que vieram migrados de terras mineiras e paulistas para ocupar este território em busca de trabalho. Na praça da Igreja Matriz haverá uma homenagem a São Sebastião. O público, conduzido por um ônibus, é convidado a cirandar junto às crianças na Fazenda da Posse, representando a nossa história futura, no marco zero, onde tudo nasceu. Com duração aproximada de 4 horas, o espetáculo é garantia de muita animação e uma boa dose de história!
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O coletivo integra a programação do evento, que tem como tema o Sertanejo
Conhecida como a cidade da seresta, Conservatória irá se render ao sertanejo entre os dias 7 e 11 de setembro, durante a quinta edição do Festival CineMúsica. E para levar o gênero musical para as ruas históricas da cidade, o Coletivo Teatral Sala Preta participa da programação, com espetáculos que aproximam o público do clima sertanejo.
Abrindo o evento, no dia 7, o grupo apresenta a obra infantil O CASCUDO DOURADINHO, às 10 horas. O espetáculo busca conscientizar as crianças quanto ao meio ambiente, explorando o universo lúdico dos pequenos por meio dos bonecos, dos adereços e das músicas. 
Já no dia 9, também no mesmo local, o Sala Preta volta às ruas para apresentar a saga nordestina com os espetáculos A NOIVA DE GONZAGÃO, às 10 horas e AS VIÚVAS DE DOMINGOS, às 15 horas. Inspiradas no universo nordestino, as peças encenam histórias inusitadas, com músicas ao vivo, contadas a partir de toda a popularidade das canções de grande sucesso dos compositores Luis Gonzaga do Nascimento (Gonzagão) e Dominguinhos.
Além de música, cinema, gastronomia, teatro, dança e palestra, o CineMúsica conta ainda com o Programa Formacine, dedicado a colocar as crianças e adolescentes da região em contato com o cinema e com os temas propostos. Para conferir a programação do CineMúsica basta acessar o site http://festivalcinemusica.com.br. Mais informações sobre os trabalhos do Sala Preta no portal www.salapreta.wordpress.com.
Serviço:
CineMúsica Conservatória
07 de setembro (10hrs) - “O Cascudo Douradinho em: Amiga Lata, Amigo Rio”
09 de setembro (10hrs) - “A noiva de Gonzagão”
09 de setembro (15hrs) - “As Viúvas de Domingos”
Local: Próximo à Tenda Formacine
Gratuito.
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O projeto Zonas de Contato, coordenado pela Prof. Denise Espírito Santo, receberá o Coletivo Teatral Sala Preta na UERJ. O grupo de teatro de Barra Mansa apresentará dois espetáculos, intitulados “Devir” e “A noiva de Gonzagão”, nos dias 11 e 12 de agosto respectivamente e ambos às 19h30. O primeiro será apresentado no anexo da Concha Acústica e o segundo na entrada da UERJ (portão 1) com entrada franca.
O Coletivo Teatral Sala Preta foi fundado em 11 de janeiro de 2009, na cidade de Barra Mansa, no Estado do Rio de Janeiro. E foi constituído formalmente como associação sem fins lucrativos em 2011. A primeira montagem apresentada foi O CASCUDO DOURADINHO com temporadas em Barra Mansa/RJ, Volta Redonda/RJ, na FLIP em Paraty/RJ, e participação no
Festival de Teatro de Resende, Festival de Teatro da Criança em Volta Redonda/RJ e esteve na programação da Red Ecuatoriana de Festivales, nas cidades de Quito, Manta e Guayaquil, no Equador.
Em Julho de 2009 estreou o espetáculo A NOIVA DE GONZAGÃO que foi originado da continuação dos estudos de rua após a montagem CANTOS DE EUCLIDES. Formado por 56 atores e músicos que percorreram as ruas de Paraty, na FLIP, contaram a história de Euclides da Cunha. A NOIVA DE GONZAGÃO integrou a programação da Red Ecuatoriana de Festivales, no
Equador, nas cidades de Manta, Guayaquil e na capital Quito em 2009. Em agosto de 2010 fizeram parte de um projeto denominado Revolta à Metade do Mundo da Corporación Humor y Vida, de Quito. Foi apresentado nas cidades de El Palmar e Chical, ambas na fronteira equatoriana com a Colômbia. Integrou também a programação da Tomada Urbana em 2009 e 2010 nos bairros 9 de Abril e Vila Ursulino. Em 2011 apresentou na praça do Teatro Ziembinski na Tijuca, no Rio de Janeiro.
Dentre as diversas montagens do Sala Preta, A NOIVA DE GONZAGÃO é apresentado até os dias de hoje nas ruas das cidades fluminenses e do exterior. E o mais novo espetáculo do grupo é DEVIR que foi estreado no dia 16 de julho de 2011 no SESC de Barra Mansa. Além das apresentações, o grupo já levou oficinas de teatro, dança, bonecos, pernas de pau, artes visuais e projetos para comunidades influenciadas pela ação de forças armadas de guerrilha, na fronteira entre Equador e Colômbia.
DEVIR
Sinopse: A inspiração para o espetáculo veio no significado do próprio nome, um conceito filosófico que qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém. A partir desta teoria, a performance discute o homem-medida, as origens humanas e as consequências de suas ações no mundo. Segundo Rafael Crooz, diretor do espetáculo, Devir é o laboratório de investigação prática e teórica das técnicas das ações físicas trabalhadas pelo diretor Eugênio Barba (Odin Teatret-Dinamarca). “A apresentação explora de forma imagética os devires humanos (homem, animal, divino e máquina) e suas interrelações”, ressalta.
Data: 11 de agosto de 2011, quinta-feira
Horário: 19h30
Local: Anexo da Concha Acústica
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
ENTRADA FRANCA
CLASSIFICAÇÃO LIVRE
A NOIVA DE GONZAGÃO – Espetáculo que homenageia o compositor Luiz Gonzaga do Nascimento, o famoso “rei do baião”.
Sinopse: Inspirado no santo casamenteiro Santo Antônio, os atores do Sala Preta contam a história de uma noiva nada convencional, uma mulher fogosa, que no dia do seu casamento combina de fugir com o amante, mas na festa recebe a ilustre visita de um músico que diz ser o próprio Gonzagão (Luis Gonzaga do Nascimento). O grupo narra a história da noiva Maria e sua paixão pelo compositor nordestino, aproximando toda a popularidade das canções de grande sucesso com o público.
Data: 12 de agosto de 2011, sexta-feira
Horário: 19h30
Local: Entrada da UERJ, portão 1
Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã
Duração: 30 minutos
ENTRADA FRANCA
CLASSIFICAÇÃO LIVRE
Elenco: Rafael Crooz, Bianco Marques, Suzana Zana, Danilo Nardelli
Produção: Marcelo Bravo e Viviane Saar
Projeto Zonas de contato, ficha técnica:
Coordenação geral: Denise Espírito Santo
Alunos bolsistas: Rodney Wilbert, Luisa Espindola, Raquel Parente e Kézia Jacomo
Apoio produção: David Cunha
Contato e-mail: zonasdecontato@gmail.com
Apoios institucionais:
Instituto de Artes da UERJ
SR3
DECULT
Divisão de Teatros da UERJ
COART
Prefeitura da UERJ
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Esse ano estamos no Equador de novo!
Participando do projeto Revuelta a la Mitad del Mundo – Por una cultura de paz. com a Corporacion Humor y Vida de Quito.
Esse ano, por falta de patrocínio, só conseguimos enviar um integrante do Coletivo.
Suzana Zana está lá, a essa hora nas vésperas de partir numa jornada que percorrerá a fronteira entre Equador e Colombia, levando para as comunidades um pouco do nosso axé.
Durante todo o mês, a Zana manterá um blog de notícias o www.voocomsalapreta.blogspot.com
nesse link todos poderao acompanhar o trabalho que nós estamos realizando lá, durante todo o mês de agosto.
MERDA!
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Uma experiência mítica
Quem foi ao Teatro do Sesc-BM assistir o trabalho do Coletivo Teatral Sala Preta, intitulado Devir, na verdade participou de uma experiência ritualística que, do nosso ponto de vista, processou um ensaio sensorial em busca de pinçar vivências ancestrais que, experimentadas hoje, possam produzir elementos comparativos que possibilitem, através do resgate da memória, a autocrítica capaz de nos ajudar na equalização das relações contemporâneas.
Um tanto filosófico, porém, justamente quando o ritual foi iluminado apenas pelo fogo de uma tocha, o teatro buscou, através do exercício dramático/sensorial, iluminar novos espaços, frutos dos signos que precipitaram das interações gestuais, já que o espetáculo não produziu falas, apesar da eloqüência emanada de uma espécie de espelho, onde nos foi possível visitar a nossa ancestralidade.
Uma experiência pertinente aos propósitos do Coletivo Teatral Sala Preta, que parece buscar com ansiedade um devir como regeneração das relações humanas. A densidade da proposta fez com que o público fosse levado para o palco, todas as pessoas de uma só vez. Ocuparam cadeiras “em torno” do centro do palco onde a ação se insinuava para que interagissem com o trabalho minimalista e rico em signos sutis.
A face esotérica ficou por conta das resultantes advindas das evocações transcendentais, como uma busca dos sentidos originais. Se por uma lado esse exercício parece nos distanciar dos objetivos imediatos, por outro pode muito bem acenar com ações futuras, com performances que nos permitam flagrar o quanto estamos fora da fila em nossa marcha civilizadora. Por sua vez, o Devir será sempre a resultante da nossa faculdade de promover vivências produtivas, afinadas com a experiência antropológica que nos coube até aqui.
Os quatro atores dialogaram com as entranhas antropológicas, com os mitos e a alteridade. Melhor que o trabalho e a eventual sinestesia alcançada, é a expectativa aberta pelo Sala Preta. O grupo avança pelo caminho teatral, aprofunda-se na pesquisa cênica, nas infinitas possibilidades performáticas dos atores, nos múltiplos recursos, no teor dramático e, certamente, encontrará um caminho novo, que facilite a transposição dos conteúdos atualizados, amparados pela estética apropriada. Por ora, o público teve que engolir seco sob a luz que se abriu em resistência, para se reencontrar e colocar os aplausos no papel, com certeza, produzindo os ruídos que cada um ali presente entendeu necessário para complementar o sentido da proposta.
Podemos expor, cartesianamente, que o futuro derivará de um processo continuo de experiências sensoriais, que forem capazes de produzir os mitos nos quais ancoramos a nossa crença. Como não é simples, uma vez que se multiplicam as re-significações dos valores nas relações desse novo mundo, só mesmo o rito da experimentação nos mostrará o caminho.
Vicente Melo
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