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Postado em 19/10/2010 no site

http://www.prefeituradebarramansa.com.br/pmbm/web/page/noticias_detalhes.asp?cod=843

Por Mariana Ribeiro
Foto: Paulo Dimas

O público que esteve nas ruas de Barra Mansa no sábado, dia 16, pôde conhecer de forma diferente a história dos 178 anos de Barra Mansa. É que o Coletivo Teatral Sala Preta, em parceria com outros grupos culturais de Barra Mansa e região, apresentaram o espetáculo “Nasce uma Cidade” pelas ruas do município. O grupo percorreu vários pontos históricos para contar e manter viva a história e cultura de Barra Mansa, conforme explica o prefeito Zé Renato.

- Esta é uma novidade e uma oportunidade da população conhecer um pouco mais da história da cidade. Fico muito feliz de ver um espetáculo grande como este ser feito por jovens daqui, onde há a participação da população que acompanha o teatro com entusiasmo – avalia o prefeito.

De acordo com o superintendente da Fundação de Cultura, Luiz Augusto Mury, desde que o projeto do teatro foi apresentado a Prefeitura abraçou a idéia e deu todo o apoio para que o espetáculo fosse realizado. “Contribuímos com a parte logística, a infraestrutura para os ensaios, apoio da Guarda Municipal, entre outros. Demos todo o apoio para que o grupo pudesse contar a história de Barra Mansa de uma forma leve e contemporânea. Nossa expectativa é realizar este espetáculo todos os anos, na época do aniversário da cidade, para recontar – de forma dinâmica e diferente – o surgimento e crescimento de Barra Mansa. Para o ano que vem, vamos preparar um espetáculo diferente com uma série de atividades dinâmicas. Buscamos sensibilizar as pessoas para que nos dêem mais informações sobre a história da cidade a fim de termos subsídios para criarmos um espetáculo maior”, comenta Mury.

Segundo o ator e diretor musical da peça, Bianco Marques, o espetáculo, encenado por cerca de 400 artistas, foi inspirado no poema homônimo da poetisa mineira Lacyr Schettino. “Iniciamos o espetáculo contando sobre a ocupação dos índios Puris e Araris, até a constituição da cidade. Quando fazemos teatro de rua não sabemos o que vamos encontrar lá fora. É uma surpresa para o público e para toda equipe. Todos estavam muito apreensivos, mas ao mesmo tempo felizes com este espetáculo. Foram cerca de seis meses de ensaios e algumas dificuldades, pois muitas pessoas entraram e saíram do grupo neste tempo. É complicado você fazer um espetáculo neste porte e fazer as pessoas acreditarem na idéia. O Coletivo Teatral Sala Preta vem trabalhando bastante para fazer um espetáculo excelente para que a cidade saiba sua história e se reconheça no teatro. Nossa expectativa é encenar esta peça todos os anos e montar outros espetáculos de relevância para cidade”, comenta Bianco.

Pela primeira vez como atriz, a professora de história Anna Luiza Portugal, comenta sobre sua nova experiência e planos futuros. “O grupo estava precisando de atores e, como eu tenho amigos que atuam na peça, recebi o convite para ajudar. Nunca fiz curso de teatro e não sabia nada. Mas, participando dos ensaios desde o começo ganhei experiência. Este espetáculo é o resultado de tudo o que vimos trabalhando com o corpo e a mente nestes meses e toda esta energia explodiu na rua durante a encenação. Gostei muito de atuar como atriz e agora pretendo acompanhar o grupo em outros espetáculos e fazer um curso de teatro”, comemora Anna Luiza.

Com olhos atentos, o público acompanhou as cenas com muito entusiasmo e emoção. Durante todo o percurso era possível ver crianças, jovens e idosos surpresos e comentando da grandiosidade e beleza do espetáculo. O oftalmologista Getúlio Sales afirmou estar muito feliz com o espetáculo. “Fiquei sabendo do teatro e me interessei em vir assistir. Tenho um amigo que está atuando na peça e vim conferir o trabalho do grupo. Gostei da iniciativa da Prefeitura em apoiar este tipo de arte e espero que mais espetáculos como este aconteçam na cidade”, conta ele.

Outra que também aprovou a idéia foi a professora aposentada Irene Marina Alves. “Soube do teatro através de uma propaganda no rádio e me interessei. Um dos atores é meu ex-aluno e fiquei muito feliz em ver jovens daqui contando a história da cidade. Este espetáculo vai incentivar muitas pessoas a participarem mais da arte, do teatro e da cultura da cidade”, comenta Irene. Para os estudantes, ambos de 15 anos, Maillo Felício da Silva, e Tamares de Paula, a peça foi excelente. “Não conhecia a história de Barra Mansa e gostei bastante. Achei o teatro muito interessante e espero que tenham mais eventos como este”, comenta Maillo. “Sempre gostei de teatro. Cheguei a fazer um curso, mas parei. Depois de assistir ao espetáculo, estou pensando seriamente em voltar a fazer teatro. Gostei muito de conhecer um pouco mais da história da minha cidade”, comemora Tamares.

Encenação – A encenação começou na Praça das Nações Unidas, no bairro Ano Bom, onde os artistas retrataram a batalha dos índios Puris e Araris e a relação entre índios e brancos. Depois, seguindo em direção ao centro da cidade, o público foi tomado pela animação do Grêmio Recreativo Escola de Samba (GRES) Acadêmicos da Chacrinha, atual campeã do Carnaval de Barra Mansa, com samba-enredo em homenagem ao Rio Paraíba do Sul. Depois, na Avenida Presidente Vargas (Beira Rio) teve uma homenagem às lavadeiras. Ao sair dali, artistas e público seguiram para o Palácio Barão de Guapy, prédio que foi sede da Câmara de Vereadores e atual Biblioteca Municipal. No local, foi lembrado o momento de fundação da Vila de Barra Mansa em 1832, com desmembramento de terras de Resende.
No Parque Centenário, ao lado do Palácio Barão de Guapy, a história se prosseguiu. Desta vez Barra Mansa celebrou a elevação à categoria de cidade, em 1857. Para lembrar a data, a Banda São Sebastião e o coral Vozes de Ouro marcaram o momento com apresentações. Saindo do Parque, o cortejo seguiu em direção ao Clube Municipal para lembrar a chegada da princesa Isabel, que se hospedou na casa do Barão de Aiuruoca, que foi o primeiro presidente da Câmara. Em frente ao clube teve apresentação da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, que preparou um repertório exclusivo para a ocasião. O local também foi palco para a apresentação do grupo Dança e Magia.
Saindo do clube, a caminhada retornou ao Parque Centenário, onde teve apresentação de jongo e capoeira, com o grupo Abadá Capoeira, em homenagem a São Benedito – padroeiro dos negros. Também no Parque aconteceu a apresentação da transferência da produção cafeeira para a produção leiteira – quando os produtos puderam ser degustados pelo público.
O percurso seguiu em direção à Estação das Artes, com a apresentação de seresta itinerante com Dito e seu conjunto. Esse percurso lembrou a vinda dos imigrantes que procuraram as terras de Barra Mansa para trabalhar na produção leiteira. Ao chegar à Estação, teve leitura de um conto escrito pela artista de Barra Mansa Jane Chiesse e apresentação do grupo Bloco de Concreto – que faz percussão utilizando material reciclável – de Volta Redonda. No local, foi encenado o início do progresso de Barra Mansa, no século XIX, com o desenvolvimento industrial.
Após essa encenação, a platéia seguiu para Igreja Matriz de São Sebastião, num passeio no “trenzinho da alegria”. O percurso foi animado pela Associação dos Sertanejos de Barra Mansa. Ao chegar à Igreja foi realizada uma breve homenagem a São Sebastião, padroeiro do município. Ainda no trenzinho, o público seguiu para a Fazenda da Posse onde aconteceu o encerramento do espetáculo, que contou com a apresentação de 80 alunos do projeto Teatro nas Escolas. As crianças apresentaram a Ciranda do Vale. Logo depois, o encerramento foi feito ao som do grupo de forró Gato Seco.

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