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Monthly Archives: Julho 2011

Uma experiência mítica

Quem foi ao Teatro do Sesc-BM assistir o trabalho do Coletivo Teatral Sala Preta, intitulado Devir, na verdade participou de uma experiência ritualística que, do nosso ponto de vista, processou um ensaio sensorial em busca de pinçar vivências ancestrais que, experimentadas hoje, possam produzir elementos comparativos que possibilitem, através do resgate da memória, a autocrítica capaz de nos ajudar na equalização das relações contemporâneas.

Um tanto filosófico, porém, justamente quando o ritual foi iluminado apenas pelo fogo de uma tocha, o teatro buscou, através do exercício dramático/sensorial, iluminar novos espaços, frutos dos signos que precipitaram das interações gestuais, já que o espetáculo não produziu falas, apesar da eloqüência emanada de uma espécie de espelho, onde nos foi possível visitar a nossa ancestralidade.

Uma experiência pertinente aos propósitos do Coletivo Teatral Sala Preta, que parece buscar com ansiedade um devir como regeneração das relações humanas. A densidade da proposta fez com que o público fosse levado para o palco, todas as pessoas de uma só vez. Ocuparam cadeiras “em torno” do centro do palco onde a ação se insinuava para que interagissem com o trabalho minimalista e rico em signos sutis.

A face esotérica ficou por conta das resultantes advindas das evocações transcendentais, como uma busca dos sentidos originais. Se por uma lado esse exercício parece nos distanciar dos objetivos imediatos, por outro pode muito bem acenar com ações futuras, com performances que nos permitam flagrar o quanto estamos fora da fila em nossa marcha civilizadora. Por sua vez, o Devir será sempre a resultante da nossa faculdade de promover vivências produtivas, afinadas com a experiência antropológica que nos coube até aqui.

Os quatro atores dialogaram com as entranhas antropológicas, com os mitos e a alteridade. Melhor que o trabalho e a eventual sinestesia alcançada, é a expectativa aberta pelo Sala Preta. O grupo avança pelo caminho teatral, aprofunda-se na pesquisa cênica, nas infinitas possibilidades performáticas dos atores, nos múltiplos recursos, no teor dramático e, certamente, encontrará um caminho novo, que facilite a transposição dos conteúdos atualizados, amparados pela estética apropriada. Por ora, o público teve que engolir seco sob a luz que se abriu em resistência, para se reencontrar e colocar os aplausos no papel, com certeza, produzindo os ruídos que cada um ali presente entendeu necessário para complementar o sentido da proposta.

Podemos expor, cartesianamente, que o futuro derivará de um processo continuo de experiências sensoriais, que forem capazes de produzir os mitos nos quais ancoramos a nossa crença. Como não é simples, uma vez que se multiplicam as re-significações dos valores nas relações desse novo mundo, só mesmo o rito da experimentação nos mostrará o caminho.

Vicente Melo

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Sala Preta estreia novo espetáculo no SESC Barra Mansa

O Coletivo Teatral Sala Preta apresenta seu novo espetáculo “Devir”, no próximo sábado (16), às 20h30, no SESC de Barra Mansa. Com foco no treinamento do ator, as partituras de ações da peça são protagonistas no palco, compondo um teatro não-verbal.

A inspiração para o espetáculo veio no significado do próprio nome, um conceito filosófico que qualifica a mudança constante, a perenidade de algo ou alguém. A partir desta teoria, a performance discute o homem-medida, as origens humanas e as consequências de suas ações no mundo.

Segundo Rafael Crooz, diretor do espetáculo, Devir é o laboratório de investigação prática e teórica das técnicas das ações físicas trabalhadas pelo diretor Eugênio Barba (Odin Teatret-Dinamarca). “A apresentação explora de forma imagética os devires humanos (homem, animal, divino e máquina) e suas interrelações”, ressalta.

Quem quiser acompanhar, o SESC Barra Mansa fica na Rua Tenente José Eduardo, 560, Ano Bom. Mais informações sobre a programação do grupo no site http://www.salapreta.wordpress.com <http://www.salapreta.wordpress.com/> .

Serviço:
Data: 16 de julho
Hora: 20h30
Local: SESC Barra Mansa (Rua Tenente José Eduardo, 560, Ano Bom)
Entrada: R$12,00 (inteira) / R$6,00 (meia entrada) e R$3,00 (comerciário)

Publicado em 5/7/2011, às 11h08

O Coletivo Teatral Sala Preta apresenta o espetáculo “A noiva de Gonzagão”, na próxima sexta-feira (8), às 19h, no Festival Cultural de Inverno em Penedo. A peça faz parte da programação do evento, que acontece no Hotel Cachoeira e terá, além de teatro, música, filmes e jogos ao longo do mês de julho.

Inspirado no santo casamenteiro Santo Antônio, os atores do Sala Preta contam a história de uma noiva nada convencional, uma mulher fogosa, que no dia do seu casamento combina de fugir com o amante, mas na festa recebe a ilustre visita de um músico que diz ser o próprio Gonzagão (Luis Gonzaga do Nascimento).

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A partir daí, o grupo narra a história da noiva Maria e sua paixão pelo compositor nordestino, aproximando toda a popularidade das canções de grande sucesso com o público. A entrada custa R$ 20 e para os hóspedes a peça está incluída no valor da diária.

Mais informações pelo site http://www.hotelcachoeira.com.br ou pelo telefone (24) 3351-1180. A programação do Sala Preta e mais informações sobre o grupo podem ser acessadas no portal http://www.salapreta.wordpress.com.

Serviço:

“A noiva de Gonzagão”

Data: 08/07/2011

Hora: 19h

Local: Hotel Cachoeira (Rua Santa Rita, n° 60 – Penedo)

Elenco: Bianco Marques, Danilo Nardelli, Rafael Crooz e Suzana Zana

Leia mais: http://diariodovale.uol.com.br/noticias/3,42810,Sala-Preta-apresenta-espetaculo-no-Festival-Cultural-de-Inverno.html#ixzz1RFynXwcN

 

http://oglobo.globo.com/cultura/kogut/posts/2011/07/03/francisco-cuoco-improvisa-cena-no-meio-da-calcada-em-resende-389803.asp

Francisco Cuoco improvisa cena no meio da calçada, em Resende

Ao chegar ao XI Festival de Teatro de Resende, Francisco Cuoco viu  Coletivo  Teatral Sala Preta se apresentando na calçada. Curioso, se aproximou.  O ator Bianco Marques, sagaz, o levou para o centro da roda e eles acabaram improvisando uma cena. Foi lindo!